|
||||||
![]() |
|
Edição 106 | EXPEDIENTE |
Sentimentos como medo, dúvida ou até mágoa podem desencadear sintomas físicos por todo o corpo. É a chamada somatização, uma área que a medicina tem investigado a fundo POR STELLA GALVÃO FOTOS FABIO MANGABEIRA
A ciência comprova Diversos estudos vêm demonstrando que as pessoas que enfrentam situações altamente estressantes com alguma dose de otimismo estão menos propensas a desenvolverem um transtorno psicossomático e, se o fazem, conseguem recuperar-se facilmente. Dois estudos publicados em 2007, um no Jornal da Associação Médica Americana (Jama) e outro no Archives of Internal Medicine, atestam esse vínculo. No primeiro deles, realizado com quase 1.000 pacientes na faixa dos 35 a 59 anos, vítimas de infarto com histórico de ansiedade tinham duas vezes mais risco de sofrer um novo evento cardíaco. No segundo estudo, o psicólogo Sheldon Cohen, da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, realizou uma análise retrospectiva de artigos médicos que relacionavam emoções intensas com falhas do sistema imunológico. A conclusão foi que o tom fortemente emotivo pode acelerar uma série de males, e isso com dados de real incidência.Há cerca de dois anos, um estudo publicado no Journal of Neuroscience por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que o estresse acumulado potencializa processos inflamatórios que podem culminar na morte de células nervosas (neurônios) em duas regiões específicas do cérebro: o hipocampo, associado à formação da memória, e o córtex frontal, responsável pelo raciocínio complexo. Dor e sentimento
para enfrentar o problema, a receita é simples e direta: aceite suas emoções, aprendendo a reconhecê-las e a lidar com elas
Quando se agrava Em termos de assistência, José Atilio Bombana esclarece que, nos casos mais leves de somatização, os clínicos gerais podem dar conta, contanto que se disponham a ouvir esses pacientes e que fujam do excesso de procedimentos. "Um clínico experiente e tolerante pode ter um papel importante, no sentido de não facilitar que o seu paciente com alguma tendência à somatização se cronifique, para isso deve conversar mais e fazer menos intervenções comprometedoras (pedidos exagerados de exames, indicações questionáveis de cirurgias etc.)", afirma o psiquiatra. Já nas situações mais graves, crônicas, habitualmente são equipes multidisciplinares (constituídas por psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas) que atendem. Nos quadros importantes de somatização, alerta Bombana, "observamos pacientes que passam a viver em função das doenças, frequentando continuamente serviços médicos, embora habitualmente não se satisfaçam com as orientações dadas". PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>
|
![]()
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||
|
||||||||||