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Edição 105 | EXPEDIENTE
Família / Home

  Sua casa mais segura
Em frações de segundo, uma criança é capaz de se envolver num acidente sério mesmo no ambiente doméstico. para minimizar riscos, pais e cuidadores devem estar atentos a todos os cômodos

POR RITA TREVISAN / ILUSTRAÇÃO GLAIR ARRUDA

Ao sair às ruas com uma criança, toda a família redobra os cuidados para evitar qualquer tipo de acidente. Mas, uma vez em casa, a tendência é que os pais relaxem, deixando os pequenos muito à vontade. O que poucos levam em consideração é o fato de que um ambiente doméstico também é capaz de oferecer grandes riscos, que não devem ser subestimados. Segundo dados do Ministério da Saúde, os acidentes ou lesões não-intencionais representam a principal causa de morte de crianças até 14 anos no Brasil. No total, cerca de 6 mil crianças nessa faixa etária morrem em decorrência desses acontecimentos e 140 mil são hospitalizadas anualmente.

Nas crianças até um ano, entre as principais causas de mortalidade e internações estão sufocamento, queda, queimadura, envenenamento pela ingestão de substâncias tóxicas e choque elétrico. Dos dois aos sete anos, à exceção do sufocamento, os demais acidentes estão entre os principais responsáveis por hospitalizações e mortes. Os dados são alarmantes, mas devem servir para uma conscientização. A boa notícia é que, segundo a ONG Criança Segura — especializada em promover a prevenção de acidentes entre os pequenos —, 90% dessas consequências trágicas poderiam ser evitadas com pequenos cuidados por parte da família. “Os pais devem estar cientes de que o ambiente precisa ser adaptado às crianças e não o contrário”, alerta o pediatra Aramis Lopes, do departamento cientí- fico de segurança da Sociedade Brasileira de Pediatria. Segundo Alessandra Françóia, coordenadora do Programa de Formação de Mobilizadores da Criança Segura, pequenas mudanças garantem a segurança do pequeno e a tranquilidade dos pais. “É importante avaliar a casa como um todo, com um olhar bastante cuidadoso, para, então, eliminar ou minimizar os riscos”, indica. Para cada cômodo da casa, há sugestões específicas dos especialistas:

Sala

Os fios e a tomada: A fiação dos aparelhos eletrônicos nunca deve estar exposta e as tomadas precisam ser protegidas com tampas apropriadas ou fita isolante. Assim, afasta-se o risco de choque elétrico.

Os móveis: Prefira móveis com pontas arredondadas ou use protetores naqueles em que os cantos são mais pontiagudos, oferecendo riscos de batidas e cortes aos pequenos. Mas tenha uma postura bastante crítica também ao selecionar estes e outros protetores. Peças pequenas e que se soltam facilmente podem ser levadas pela criança à boca, aumentando o risco de engasgamento e asfixia.

A decoração: Enfeites de vidro, cerâmica e outros materiais que se quebram facilmente devem ser retirados do alcance da criança. Objetos pequenos, como brincos e anéis, esquecidos sobre mesas e cômodas, são um perigo e tanto, pois conseguem passar pela garganta de uma criança pequena e, portanto, oferecem risco de asfixia.

As plantas: Algumas plantas, quando manipuladas ou colocadas na boca, podem causar graves intoxicações em crianças, principalmente menores de cinco anos. Bico-de-papagaio, copo de leite e comigo-ninguém-pode são exemplos de vegetais que oferecem risco.

•A televisão: Como a TV normalmente é um atrativo para os pequenos, que costumam manipular seus botões rotineiramente, é importante que ela esteja apoiada em um móvel bem firme, diminuindo os riscos de que o aparelho caia sobre a criança durante um movimento mais brusco.

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