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Edição 106 | EXPEDIENTE
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  Respire melhor
Entenda como se manifestam e como são tratadas três doenças respiratórias cujas crises podem aumentar durante os meses mais frios: asma, bronquite e rinite alérgica

Por Stella Galvão

Pelo menos 15% da população mundial convive com uma das formas de asma: alérgica e não-alérgica. Segundo o pneumologista Carlos Car valho, supervisor do Serviço de Pneumologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, trata-se de uma doença crônica que afeta os brônquios (tubos que levam o ar aos pulmões) e bronquíolos (ramificações menores da "árvore" pulmonar) de pessoas sensíveis quando estas entram em contato com substâncias que desencadeiam reações que em outras, não particularmente sensíveis, nada causam.

Os hipersensíveis têm predisposição genética para apresentar uma reação exagerada de fechamento dos brônquios diante de diferentes estímulos externos, alguns de natureza alérgica (alérgenos) e outros irritativos (ar frio, cheiros fortes, poluição, fumaça etc.). A não-alérgica é causada por circunstâncias como baixa umidade do ar, respiração em ritmo acelerado demais e até mesmo sob efeito do estresse acumulado. Manifesta-se em qualquer faixa etária, conforme Daniel Deheinzelin, pneumologista do Núcleo Avançado do Tórax do Hospital Sírio-Libanês, enquanto o tipo alérgico é mais comum em crianças, por causa da imaturidade do sistema imunológico.

A asma não-alérgica é causada por circunstâncias como baixa umidade do ar, respiração acelerada ou forte estresse acumulado, manifestando-se em qualquer idade

"A obstrução das vias aéreas gera uma dificuldade de passagem do ar que se manifesta por chiado no peito (sibilos), mais intensos durante as crises", diz Deheinzelin. Também há crises de falta de ar e tosse, especialmente à noite e nas primeiras horas da manhã. Costuma manifestar-se desde a infância e evolui cronicamente ao longo da vida, com episódios agudos dependendo do perfil do paciente. A principal característica da asma, assim, é a hiper-reatividade das vias aéreas, ou seja, a reação exacerbada a estímulos externos, alérgicos ou irritativos.

Guia básico de sobrevivência
* Asma não tem cura. Aprenda a conviver com essa doença que possui muitas características individuais. Fique atento e tente identificá-las.
* Use corretamente os remédios, seguindo orientação médica. Bombinhas e/ou os corticoides, na medida e na hora certas, controlam a crise.
* Identifique os fatores ambientais que facilitam o aparecimento de crises e afaste-se deles o máximo que puder.
* Lembre-se de que ter asma não o impede de nada, desde que saiba reconhecer e controlar sua doença.
* Não fume. Fumar só piora os sintomas e dificulta o controle.

O RISCO AMBIENTAL
Um dos principais fatores de risco para a ocorrência de crises de asma é uma lista enorme de substâncias que causam alergia em pessoas suscetíveis.

A maioria delas é encontrada dentro de casa mesmo ou nas redondezas, como lista o pneumologista Sérgio Ricardo Santos, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). São os alérgenos domiciliares - poeira, pelos de animais, baratas, fungos, mofo, ácaros e outros tantos micro-organismos que proliferam em cantinhos que escapam à limpeza constante. O pólen das plantas incluise entre os fatores externos que facilitam a instalação da asma. Contribui também para esse quadro, conforme Santos, as infecções (em geral virais), fumaça do cigarro (tabagismo ativo e passivo) e poluição ambiental.

HIGIENE E ATIVIDADE FÍSICA
O tratamento se baseia no controle dos fatores de risco presentes no ambiente frequentado pelo portador da doença (higiene ambiental), na abordagem preventiva das crises de sintomas com medicamentos de uso contínuo nos pacientes com sintomas recorrentes e no uso de medicações de alívio se, mesmo com a prevenção, ocorrerem algumas manifestações. O médico Sérgio Ricardo orienta: "Esses indivíduos devem ser tratados com medicamentos, estimulados a realizar atividades físicas e, quando necessário, receber orientação alimentar, caso se comprove que a doença se manifesta após a ingestão de determinados ingredientes".

Por fim, deve-se sempre investir na educação de pacientes e familiares orientando-os para a identificação e abordagem precoce das crises de sintomas, evitando progressão do desconforto respiratório e suas possíveis complicações.

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