Labirintite Não há distinção de faixa etária para o aparecimento do problema. Quando tudo parece rodar ao seu redor e a sensação é de faltar o chão, convém investigar
POR STELLA GALVÃO
Durante a fase carioca do último Tim Festival, em abril de 2009, o cantor britânico Antony Hegarty teve de fazer um segundo show não programado. Tudo porque a atração canadense Feist, de 33 anos, sofreu uma crise de labirintite que a impediu de subir ao palco. Outra personalidade pública a sofrer os efeitos da doença, de forma recorrente, é a apresentadora Fátima Bernardes, que já abandonou algumas vezes a bancada do Jornal Nacional, na TV Globo, para se tratar.
O que fica claro para quem lê essas notícias é que não se trata de um distúrbio de pessoas mais idosas, ao contrário do que se imaginava. O otorrinolaringologista Mário Sérgio Munhoz, chefe da disciplina de Otoneurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), confirma que não há distinção de faixa etária para o aparecimento do problema.
Na infância, ela aparece sob a forma da vertigem paroxística benigna, um equivalente de enxaqueca e vertigem. No adulto, surge como doença de Ménière, quando ocorre aumento do volume ou da pressão de um dos líquidos que preenchem o labirinto (endolinfa). Já no idoso, ocorre a labirintopatia de maior frequência, que é vertigem posicional paroxística benigna, quando o simples movimento da cabeça pode desencadear a crise.
A perda de equilíbrio momentânea ou duradoura, também chamada de doença no labirinto, tem inúmeras causas. Segundo Munhoz, já foram descritas mais de 2 mil fatores implicados no aparecimento do problema. Os mais comuns são os distúrbios hormonais, infecções do ouvido, traumas e exposição a ruído excessivo. Já na experiência de Alexandre Pieri, neurologista do Hospital Israelita Albert Einstein, quando há uma causa defi- nida, ela é consequência de infecção viral ou bacteriana, e de trauma de crânio com fratura temporal.
Os órgãos responsáveis pelo equilíbrio e pela audição estão situados dentro do compartimento interno do conduto auditivo (orelha interna) e se comunicam com o sistema nervoso central por meio de terminações nervosas, como detalha o otorrinolaringologista Antonio Douglas Menon, do Hospital Sírio-Libanês. Além das já mencionadas doenças infecciosas, inflamatórias, tumorais e mesmo alterações genéticas que ocasionam mudanças nessas estruturas anatômicas. Essas patologias podem provocar sintomas como vertigem e tonturas. A fase aguda pode durar de minutos ou horas a dias conforme a intensidade da crise.
O MUNDO DE PONTA-CABEÇA
Maria Celeste, uma relações públicas de 46 anos, vinha de um longo período sem férias quando começou a faltar o chão. Era só olhar para qualquer coisa abaixo da altura dos olhos que o mundo começava a rodar. No pronto-socorro, foi examinada dos pés ao último fio de cabelo sem que nada de anormal fosse identificado. A consulta clínica deu o veridicto: estresse em grau elevadíssimo. Mais que um remédio para enjoo e tontura, a recomendação foi para tirar férias ou ao menos um período de descanso.
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