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Edição 106 | EXPEDIENTE |
Não há distinção de faixa etária para o aparecimento do problema. Quando tudo parece rodar ao seu redor e a sensação é de faltar o chão, convém investigar POR STELLA GALVÃO
Além de repouso, recebeu as instruções de praxe em caso de crises agudas: evitar dirigir e outras situações de risco como andar sozinha até que o sintoma regrida. Depois de 15 dias, Maria Celeste sentiu de novo faltar o chão sob seus pés, fazendo sua cabeça rodar. Segundo Douglas Menon, a literatura médica relaciona o estresse como uma das causas da doença de Ménière, caracterizada por vertigem com náuseas, vômitos, perda auditiva e zumbido. Nesse caso, a frequência das crises podem ser mensais, anuais ou desaparecerem por dois ou três anos. O principal sintoma da labirintite, seja qual for a idade, é tontura tipo rotatória, também chamada de vertigem. É acompanhada de barulho no ouvido e zumbidos na cabeça. "Outra consequência é a alteração quantitativa ou qualitativa da audição (eu não escuto, não entendo, o som me irrita). Sintomas que aparecem associados aos principais são náuseas, vômitos, aceleração do coração, descontrole de esfíncteres e sudorese", explica Mário Munhoz. Também pode ocorrer perda de audição, sensação de plenitude auditiva (sensação de ouvido cheio ou tapado). "Os ataques têm duração de horas, mas um certo grau de tontura e desequilíbrio podem persistir por dias", informa Alexandre Pieri. MUITO SENSÍVEL
De acordo com Munhoz, quatro em cada dez pessoas já tiveram algum tipo de tontura na vida - ou 42% da população, segundo o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. O problema é que os distúrbios do labirinto são altamente incapacitantes, o que se explica pelo papel que o órgão cumpre no organismo. O labirinto, como explica o especialista, "é a porção interna do ouvido que tem a função de transformar a informação sonora em estímulo elétrico, para que ela possa ser levada ao sistema nervoso central, e de analisar o padrão de frequência dessa energia para identificar sons graves e agudos". A operação comandada por essa porção minúscula do conduto auditivo é delicada e muito eficiente. Consiste em levar para o cérebro, sob a forma de eletricidade, informações sobre nossa posição no espaço, como as frequências dos movimentos da cabeça e da força da gravidade. Para manter nítida a imagem, o labirinto ainda determina uma movimentação ocular de correção. Diante de tal complexidade, qualquer desarranjo nessa estrutura parecerá mesmo um pesadelo."Como lidamos com estruturas nervosas altamente sensíveis e especializadas, as palavras de ordem são prevenção e diagnóstico precoce", recomenda Pieri. FECHAR O DIAGNÓSTICO O principal item para o diagnóstico de labirintite é a história clínica cuidadosa, em que os vários aspectos das doenças envolvidas são caracterizadas. "A consulta clínica é complementada com uma avaliação otoneurológica, que pode envolver diversos exames, aplicados em cascata, ou seja, os testes básicos indicam quais os demais que devam ser feitos. Portanto, é um investigação personalizada, não existindo uma regra fixa", detalha Munhoz. Como o labirinto envolve audição e equilíbrio, independente da queixa, testes auditivos e de equilíbrio devem ser sempre aplicados em conjunto. O diagnóstico é fechado por meio de um exame clínico detalhado pelo otorrinolaringologista ou neurologista. Segundo Alexandre Pieri, exames como tomografia ou ressonância podem ser necessários para excluir outras causas de tontura como o acidente vascular cerebral (AVC). É fundamental, de acordo com Douglas Menon, identificar a causa e tratá-la adequadamente, sob pena de apenas adiar a reversão de um problema de saúde que interfere decisivamente no cotidiano dos pacientes. "Quando a causa não é evidente, é preciso ficar atento, realizar novos exames e não deixar de fazer o diagnóstico porque existem doenças no sistema nervoso central que podem provocar manifestações no labirinto." Entre elas destacamse esclerose em placas, tumores no nervo auditivo, no cerebelo e nas áreas do tronco cerebral, além de doenças imunológicas. TRATAR A CAUSA
O tratamento das crises é realizado com medicações sintomáticas que aliviam as náuseas e vômitos e medicações específicas que diminuem a excitabilidade do labirinto. Dependendo do remédio, as pessoas podem levar vida normal. Hoje, a grande maioria das drogas de manutenção não restringe as atividades dos pacientes. Após a crise, o ideal é consultar o médico para realizar uma reabilitação vestibular, que consiste em exercícios de movimentação ocular e equilíbrio. Os especialistas ouvidos nesta matéria esclarecem que o enfoque principal é na identificação e erradicação da causa da labirintite. Remédios são importantes, mas devem ser usados por um determinado período de tempo. Recursos como mudanças de hábitos alimentares e exercícios físicos sempre são necessários. Mário Munhoz diz que tanto a reabilitação auditiva como a do equilíbrio corporal sempre precisa ser empregada e em alguns casos são o único tratamento disponível. Crianças com queixas de tontura constante e desequilíbrio exigem uma avaliação clínica bastante detalhada, até mesmo porque alguns tumores podem provocar esses sintomas, alerta Douglas Menon. Afastada a hipótese de vertigem postural ligada a dores de cabeça frequentes (enxaqueca), caso a queixa se mantenha, elas devem ser examinadas inicialmente por um otorrinolaringologista e, se necessário, também pelo neurologista. << Anterior | 1 | 2 | 3 | Próxima >>
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