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Edição 106 | EXPEDIENTE
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  Labirintite
Não há distinção de faixa etária para o aparecimento do problema. Quando tudo parece rodar ao seu redor e a sensação é de faltar o chão, convém investigar

POR STELLA GALVÃO

Dicas para evitar as tonturas

Mais que ser medicado, pessoas que apresentam labirintite precisam combater e erradicar as causas. Acompanhe as principais dicas dos médicos:

-Consulte um médico regularmente para manter os níveis de colesterol, triglicérides, glicemia, pressão arterial e outros indicadores clínicos sob controle -Na dieta diária, reduza ao máximo o consumo de açúcar e de gorduras. -Evite, previna e trate distúrbios metabólicos e hormonais.
-Não abuse de sal, café, chocolate e outros alimentos com cafeína e/ou estimulantes. -Evite o fumo e o uso abusivo de bebidas alcoólicas. -Trate qualquer infecção que apareça, seja de causa viral ou bacteriana, porque ela pode repercutir, a distância, no seu equilíbrio
-Evite grandes intervalos entre as refeições. O ideal, mesmo, é não passar três horas sem levar algum alimento à boca. -Não se exponha a ruído de lazer excessivo (shows, MP3 players etc.)  

 

FUSÃO DE IMAGENS: HELTON GOMES / INFOGRÁFICO: SHUT

Na hora da crise

Os médicos recomendam que o paciente fique na posição em que se sentir melhor: sentado, deitado de costas ou de lado. Há quem goste de ficar sentado, mas a maioria prefere ficar em decúbito dorsal (de lado) com a cabeça um pouco levantada. Outra dica do médico Antonio Douglas Menon é o paciente observar as situações que costumam levar às crises. Por exemplo, virar a cabeça várias vezes e rapidamente, baixá-la bruscamente ou quando ouve ruídos muito fortes. Desse modo, a prevenção se baseia em evitar determinado movimento ou a exposição ao estímulo sonoro.

Qual a diferença entre vertigem e tontura?

FUSÃO DE IMAGENS: HELTON GOMES / INFOGRÁFICO: SHUT

A primeira vem do latim vertere e quer dizer rodar, ou perder o eixo do movimento corporal. A definição clássica de vertigem é alucinação do movimento. Já na tontura, como descreve o médico Antonio Douglas Menon, está presente a sensação de desequilíbrio e instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.

Na vertigem, a sensação é a de que os objetos presentes em um ambiente estão rodando ao redor da pessoa ou esta sente os objetos girarem ao redor de si. Na tontura, prevalece a iminência da queda, da falta de solo e de insegurança em permanecer no lugar que se deseja estar. Esses sintomas, associados ou não a náuseas, vômitos, sudorese, caracterizam a crise labiríntica típica. Menon esclarece que sentir-se mal e ter a sensação de desmaio também podem ser sintomas de hipoglicemia, de hipotensão ou de uma síncope que nada têm a ver com o labirinto.

São situações em que a pessoa, por exemplo, permanece muito tempo sem se alimentar, fica muito tempo na mesma posição, sofre uma súbita diminuição nos níveis glicêmicos. Em casos assim, o mal estar costuma vir acompanhado de náusea, daí a confusão com a labirintite. A parte psíquica e emocional, como no caso do estresse, é muito importante.

Os hábitos alimentares também influem decisivamente para a eclosão de crises. Bebidas gasosas que contenham quinino também podem desencadear zumbido no ouvido, conforme outro exemplo citado pelo médico. Ele faz uma ressalva, porém: cada organismo reage de uma maneira diversa diante do estímulo a que está sendo submetido. E essa variabilidade se aplica de maneira muito intensa no caso da labirintite.

Leque de medicações
São vários os tipos de medicamentos que podem ser indicados no tratamento da labirintite, exclusivamente a critério do médico:
-Vasodilatadores: facilitam a circulação sanguínea e melhoram o calibre dos vasos muitas vezes reduzido pelas placas de ateromas;
-Labirintossupressores: suprimem a tontura pela ação no sistema nervoso;
-Anticonvulsivantes e antidepressivos (inibidores seletivos de recaptação da serotonina);
-Drogas que atuam sobre outros sintomas, suprimindo a náusea, o vômito, o mal-estar.
Uma vez estabelecida a causa e o tratamento adequado, a tendência é a doença desaparecer. Atualmente, se estudam terapias que possam repor as células nervosas, por meio de células-tronco ou intervenções genéticas. Em paralelo, as pesquisas estão mais centradas na reabilitação e nas novas medicações inibidoras do labirinto.
FUSÃO DE IMAGENS: HELTON GOMES / INFOGRÁFICO: SHUT

FONTE: LUCIANO MOREIRA, OTORRINOLARINGOLOGISTA, DO RIO DE JANEIRO.

 

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