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Edição 89 | EXPEDIENTE
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  Hormônios também mexem com eles
O que fazer quando o declínio da produção de testosterona altera sensivelmente a qualidade de vida do homem

POR CRISTINA ALMEIDA

Roy completava 52 anos, mas não tinha vontade de comemorar. Todo mundo o descrevia como uma pessoa ativa. Trabalhando como vice- presidente de uma empresa, ainda tinha tempo para treinar o time de hóquei de seu filho. A esposa sempre fora sua melhor amiga e suas vidas giravam em torno dos filhos... Mas, nos últimos tempos, Roy não era o mesmo. Estava sempre esgotado e, após o jantar, seu desejo era ficar no sofá, cochilando.

A relação com sua mulher também mudara: agora brigavam mais, e Roy não tinha nem disposição para o sexo. Na vida profissional não era diferente, pois ele achava que o novo assistente desejava roubar seu lugar. Já não havia certezas sobre si e o futuro. Os colegas percebiam sua irritação. "O jogo de amanhã? Como posso escapar dele? Apenas não sinto entusiasmo pelas coisas... Ah, eu não sei... talvez esteja envelhecendo..."* O relato de Roy retrata uma situação muito comum entre os homens.

Por volta dos 50 anos, uma grande parcela deles apresenta um declínio na produção de testosterona, o hormônio responsável pelas características sexuais masculinas. É o distúrbio androgênico do envelhecimento masculino (DAEM), mais conhecido como andropausa. Caracterizado pela presença do hipogonadismo, isto é, a diminuição das funções das gônadas (testículos), o distúrbio é considerado uma verdadeira epidemia nos EUA, que acomete entre cinco milhões e dez milhões de homens. Aqui no Brasil, conforme a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a situação parece ser semelhante.

Quer se prevenir?

* Consule regularmente um urologista.
* Coma quantidades moderadas de proteína (carnes, queijos etc.), pois com o tempo há perda da massa muscular e seu consumo é aconselhável.
* Consuma grandes porções de frutas e vegetais, são antioxidantes e têm efeito antienvelhecimento.
* Carboidratos só em quantidades mínimas (pães, doces, arroz, massas).
* Pratique exercícios físicos moderadamente - atividades aeróbicas e peso combinados por 20-30 minutos, algumas vezes por semana, é o ideal.

A andropausa é considerada uma verdadeira epidemia nos EUA, que acomete entre cinco milhões e dez milhões de homens. Aqui no Brasil, a situação parece ser semelhante

MENOPAUSA MASCULINA

O urologista Robert S. Tan, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Texas-Houston, diz que o distúrbio é um assunto muito interessante porque parece ser um fenômeno ocidental, que varia dependendo da parte do mundo onde o homem viva. Assim, uma pesquisa clínica dirigida por Peter T. Ellison, do departamento de Antropologia da Universidade de Harvard, comprova que os americanos têm altos níveis de testosterona na juventude, que declinam com maior velocidade conforme a idade.

Em outros países, como o Paraguai, por exemplo, esses níveis no início são menores e se equilibram com o passar do tempo. Para o urologista Luciano Favorito, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e diretor da SBU, essas diferenças podem estar relacionadas a muitos fatores, tais como genética, hábitos pessoais, alimentação, atividade física e obesidade, mas, quando o DAEM se manifesta, seus sintomas são universais. A andropausa pode ser identificada se houver alguns dos seguintes sinais: letargia, cansaço generalizado, perda da libido e de cabelo (na cabeça, axilas e área genital), disfunção erétil, impotência, diminuição dos testículos, perda da memória, desatenção, mudanças de humor, diminuição da massa muscular e óssea, suores noturnos e palpitações.

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