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Epilepsia: A vida fora das sombras Apesar de pelo menos uma em cada cem pessoas em todo o mundo ter esta condição, poucos admitem isso publicamente
POR ANDRÉ BERNARDO
Primeiro, a pessoa perde a consciência e cai. Depois, fica com o corpo totalmente rígido. Por fim, começa a se debater sem nenhum motivo aparente. Uma crise epiléptica não dura mais que alguns minutos, mas as suas consequências podem repercutir para sempre. Ainda hoje, há quem acredite que epilepsia seja sinônimo de insanidade mental. Ou, pior, de possessão demoníaca. O próprio termo epilepsia, que vem do grego e significa "estar tomado", reforça essa tese.
"Quem já viu uma crise epiléptica fica assustado. E se pergunta: 'Como pode uma pessoa de uma hora para outra perder o controle e se debater daquele jeito?'. É por isso que o preconceito ainda é grande. Muitos assumem que têm diabetes e hipertensão. Mas poucos têm a coragem de dizer publicamente que têm epilepsia. Ainda vivem nas sombras", afirma o neurologista Li Li Min, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Na esperança de retirar os pacientes com epilepsia da escuridão, Li Li Min ajuda a divulgar, no Brasil, a campanha Epilepsia Fora das Sombras, uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Liga Internacional contra a Epilepsia e o Escritório Internacional para Epilepsia. O objetivo é melhorar a aceitação, o diagnóstico, o tratamento e os serviços de prevenção contra a epilepsia em todo o mundo. Tanto que a campanha já conseguiu promover o dia 9 de setembro como dia nacional de conscientização da epilepsia.
"A prevalência da epilepsia é de 1%. Mas, em países em desenvolvimento, como o Brasil, esse número pode chegar a 2%. Por isso mesmo estimamos que, só por aqui, 3 milhões de pessoas tenham alguma forma de epilepsia. Mas, infelizmente, apenas uma pequena parcela da população recebe o tratamento adequado", alerta Li Li Min.
Embora seja uma das mais frequentes, a crise epiléptica descrita no início desta matéria não é a única que existe. Além do tipo que provoca convulsões (e que corresponde a 50% dos casos), existem outros, mais sutis. É o caso das crises de ausência, comuns na infância. Nesse caso, a criança fica como se estivesse "fora do ar" por alguns segundos. Em outras manifestações, os pacientes podem apresentar espasmos rápidos em um dos braços ou movimentos circulares dos olhos.
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