Aproveite o melhor do sol Só quem vive num país tropical tem à sua disposição um tratamento tão eficiente - e que ajuda a fortalecer o sistema imunológico, a controlar a pressão arterial e o diabetes e, ainda, a prevenir complicações cardiovasculares
Por Rita Trevisan
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39,6% dos brasileiros têm deficiência da vitamina D, segundo levantamento feito pela USP |
Embora não tenha sido absolvido da culpa de causar manchas, queimaduras e câncer de pele, o sol, quando bem administrado, traz muito mais benefícios à saúde do que se pode imaginar. Como é essencial para a síntese da vitamina D - encontrada em baixíssima quantidade nos alimentos -, ele participa de processos metabólicos importantes e atua sobre diversos órgãos, ajudando a prevenir doenças.
A ação principal e mais conhecida desta vitamina é proporcionar o equilíbrio dos níveis de cálcio e fósforo do organismo, permitindo que as atividades nas quais esses íons estão envolvidos ocorram de maneira adequada. A vitamina também participa de aspectos importantes da função neuromuscular, que repercutem na capacidade de realizar movimentos rápidos. Além disso, o composto ajuda a regular as contrações do músculo cardíaco, que viabiliza o bombeamento do sangue para todo o corpo. Assim, ao manter os níveis ideais do micronutriente no organismo, estamos contribuindo para a prevenção de complicações de ordem cardiovascular. "A vitamina age, ainda, na fixação do cálcio pelo organismo. Sua deficiência causa raquitismo na criança e osteomalácia no adulto", explica a endocrinologista Bárbara Campolina Carvalho Silva.
A capacidade de resistir às doenças e de combatê-las também está relacionada à quantidade encontrada dessa vitamina no organismo. "A vitamina D tem ação bactericida e estimula a fagocitose, agindo no combate a algumas infecções, como a tuberculose. Atua ainda, direta e indiretamente, na diferenciação e ativação de linfócitos T-CD4+, que são células de defesa, prevenindo o desenvolvimento de doenças autoimunes", afirma a especialista.
Com tantos efeitos benéficos, não é de se estranhar que ela vem sendo apontada como fator capaz de garantir a longevidade. Segundo pesquisa publicada na revista científica Archives of Internal Medicine, o déficit dessa vitamina aumenta em 26% o risco de morte pelas mais variadas causas. O estudo avaliou mais de 13 mil homens e mulheres.
Vitamina multifunção
Em países como Noruega, Finlândia e Dinamarca, a comercialização de alimentos fortificados com vitamina D é muito comum. E não por acaso. A carência desse micronutriente está intimamente ligada ao aparecimento de diversas doenças crônicas, como a hipertensão e o diabetes. Isso porque ele atua sobre vários órgãos, além de regular o metabolismo das gorduras, a produção de insulina e de renina, hormônio secretado pelos rins e que aumenta a pressão. "A vitamina também tem ação preventiva sobre o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, principalmente os de mama, próstata e intestino", afirma Bárbara.
Segundo os especialistas, a vitamina ainda ajuda a minimizar o crescimento de alguns tipos de tumores. "Ela estimula a produção de substâncias que inibem a proliferação das células atingidas pelo câncer", diz a nefrologista Rosa Maria Affonso Moysés, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Mais disposição
Você já reparou que, nos dias cinzentos, em que o sol não dá o ar da graça, fica mais fácil sentir tristeza e desânimo? A explicação pode estar na relação entre a luz solar e a liberação de serotonina, neurotransmissor responsável pelo nosso bem-estar. Por mecanismos ainda desconhecidos, os raios de sol estimulam a produção desse calmante natural, que ajuda a elevar a autoestima, melhora a motivação e ainda nos deixa mais felizes, sorrindo à toa. "O sol e o calor também facilitam a socialização. Nas épocas mais quentes, as pessoas tendem a se sentir mais à vontade, e se expressam com certa desenvoltura", diz a psicóloga Maria Regina Domingues de Azevedo, professora da Faculdade de Medicina do ABC.
O sol tem ainda outra função importante sobre o organismo: a de regular o nosso relógio biológico. A luz emitida por ele é a que nos ajuda a estabelecer períodos de sono e de vigília. Quando o sol aparece, os raios ultravioleta captados pela retina transformam-se em impulsos nervosos, que avisam uma glândula cerebral, a epífise, que é hora de parar de secretar melatonina, hormônio do sono. À noite, o processo é contrário.
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