Você tem medo de quê? Médicos explicam por que alguns de nós sentimos o coração disparar e as pernas ficarem trêmulas quando temos de andar de elevador, falar em público, tomar injeção...
Por André Bernardo
As duas faces do medo
Para facilitar o entendimento do transtorno, os médicos logo dividiram a fobia em dois grupos: a específica e a social. A específica é aquela provocada pela exposição a um determinado animal, objeto ou situação particular. A aversão é tanta que, com o tempo, o indivíduo passa a evitar o estímulo fóbico, para não sofrer
"Quando determinada fobia é desencadeada por trauma ou estresse, por exemplo, ela pode até demorar a passar, mas (geralmente) passa. O pior é quando a pessoa já "cronificou" o problema. Ou seja, criou toda uma teia de justificativas para não se deparar com ele. Quando isso acontece, as chances de cura são menores", alerta o psicanalista Bernard Miodownik, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ).
Já a fobia social pode ser descrita, em linhas gerais, como o receio de exercer qualquer atividade em público, (como falar, comer, ou simplesmente assinar um cheque) por medo de ser observado, julgado ou, pior, criticado pelos outros. Segundo especialistas, a fobia social pode ser definida como "uma timidez patológica", que leva o indivíduo a viver em estado de total isolamento ou reclusão.
Grupo de risco
"Toda fobia é incapacitante. Mas a social é a mais incapacitante de todas. O fóbico social não conseguem sequer iniciar uma conversa com alguém na rua. O quadro é tão grave que, muitas vezes, está associado a outras comorbidades, como depressão e consumo de drogas", adverte Barros Neto. De fato, em 50% dos casos, os fóbicos sociais desenvolvem quadros depressivos. Em outros 20%, a doença pode levar o indivíduo à dependência de drogas, álcool ou remédios.
A medicina ainda não chegou a um consenso sobre o perfil dos fóbicos. Quem são eles? Segundo alguns estudos, pessoas extremamente controladoras, meticulosas e perfeccionistas estão mais propensas a desenvolver comportamento fóbico do que as demais. O psiquiatra Antonio Nardi discorda. "Toda e qualquer pessoa está sujeita a ter fobia. Muitos têm fobias e não se lembram delas, diariamente, porque mantêm um comportamento de esquiva", salienta o médico.
Esperança de cura
Por enquanto, a única certeza dos médicos diz respeito ao tratamento. "No caso da fobia específica, o melhor a fazer é submeter o paciente à terapia cognitivo-comportamental (TCC)", recomenda Barros Neto.
No caso da fobia social, os médicos recomendam, além da psicoterapia, medicação. Segundo os especialistas, antidepressivos evitam que certos sintomas para lá de desagradáveis, como palpitação, sudorese e taquicardia, fujam ao controle do paciente. "O tratamento é dos mais bem-sucedidos que existem. Na maioria dos casos, os pacientes ficam totalmente livres dos sintomas", tranquiliza Gama Filho. "Mas é importante que a medicação seja ministrada no tempo mais curto possível. Alguns remédios, como os tranquilizantes, podem causar dependência", ressalva Bernard Miodownik.
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