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Edição 106 | EXPEDIENTE
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  Operação verão
A estação mais esperada do ano também pode ser a mais prejudicial à saúde. Mas medidas simples evitam que o calor provoque problemas como queimaduras de segundo grau e até intoxicação alimentar

Por André Bernardo

A ESCOLHA DO FILTRO SOLAR

FOTOS: SHUTTERSTOCK

Na hora de comprar o protetor solar, médicos recomendam que se verifique, no rótulo, o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a data de validade. O ideal é que a população use, no mínimo, filtros com fator de proteção solar (FPS) 15. Isso significa que sua pele estará 15 vezes mais protegida do que se você não tivesse aplicado o produto. "Não basta chegar à farmácia e escolher o filtro pela cor da embalagem. Cada tipo de pele pede um produto diferente", salienta o dermatologista Egon Daxbacher, da SBD-RJ. Segundo ele, alguns tipos de pele se queimam muito, e não bronzeiam nunca. Já outros, nunca se queimam, e bronzeiam intensamente.

Entre esses extremos, há outros tipos intermediários. "O certo, para uma pessoa de pele muito branca, é algo em torno de FPS 45. Já as pessoas de pele negra devem usar filtros com FPS entre 20 e 30", sugere Daxbachter. E nunca é demais repetir: filtro solar deve ser aplicado ainda em casa. E reaplicado a cada 90 minutos de exposição.

DEPOIS DA PRAIA

A exposição prolongada ao sol não causa apenas o surgimento de manchas, bolhas e queimaduras. Algumas doenças de pele, como micose e frieiras, também são mais frequentes no verão. Isso porque elas são causadas por fungos, que procuram locais quentes e úmidos para se desenvolver (veja quadro ao lado).

Tão perigoso quanto não proteger a pele dos raios do sol, é recorrer a fórmulas caseiras de bronzeamento, para garantir um corpo dourado. Uma delas é a de óleo de folhas de figo. A exemplo do limão e do caju, o figo possui uma substância, o psoraleno, que pode causar queimaduras de primeiro e segundo graus (que atingem, respectivamente a epiderme e a derme). "O óleo de folha de figo produz um bronzeamento rápido e barato, mas perigoso. Você não precisa ficar muitas horas na praia para adquirir um bronzeado perfeito. Mas, em compensação, os efeitos são extremamente nocivos", alerta Luiz Macieira, chefe do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), do Hospital do Andaraí, no RJ.

O risco do bronzeamento fácil só não é maior porque a Anvisa proibiu, em novembro do ano passado, o uso de equipamentos de bronzeamento artificial em clínicas de estética. Segundo estimativas, uma sessão de 45 minutos equivale a uma exposição à radiação ultravioleta por oito horas, sob um sol muito forte. "A medicina não recomenda bronzeamento artificial em câmaras de radiação ultravioleta. A exceção é o tratamento terapêutico de doenças de pele, como psoríase e vitiligo", diz Daxbacher.

Chás, sucos ou refrigerantes? Ainda não inventaram nada melhor para matar a sede e hidratar o organismo do que a água. Há estudos que afirmam: uma pessoa pode ficar até 40 dias sem comer, mas sobrevive apenas 72 horas sem ingerir água. "No verão, é importante beber água várias vezes ao dia, mesmo se você não estiver com vontade. A sede já é sintoma de que o organismo está ficando desidratado", alerta a nutróloga Regina Mestre, da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). "Água de coco é outra excelente alternativa de hidratação. Principalmente para quem pratica exercícios físicos".

Todos os dias, o corpo humano elimina cerca de dois litros de água, através do suor, da urina e da respiração. Para evitar a desidratação, os médicos aconselham que seja consumida a mesma quantidade de água - o equivalente, em média, a oito copos. Deste total, pelo menos um deveria ser tomado em jejum, e outro, ao dormir. "Não há um consenso sobre a quantidade ideal de água ser consumida por dia, porque isso varia de indivíduo para indivíduo.

No entanto, ela deve ser proporcional à quantidade eliminada. Acontece que os indivíduos transpiram de maneira diferente. Uns mais. Outros menos", pondera a endocrinologista Vânia Maria da Costa, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Mas... como saber se estamos desidratados? Simples. Basta verificar a cor da urina ou do suor. "A urina tem de estar clara e transparente. Se estiver muito amarela, cheirando mal, ou quente, é sinal de que o indivíduo está desidratado", avisa o fisiologista Raul Santo de Oliveira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A cor do suor também serve de parâmetro. Se a transpiração deixar uma mancha amarelada nas camisetas de cor branca, na região próxima das axilas, cuidado: é sinal de que algumas substâncias, como a ureia, estão muito concentradas no organismo.

Já as bebidas isotônicas só devem ser ingeridas por quem pratica mais de 90 minutos de exercício físico por dia. "Elas funcionam como repositores energéticos. Por isso, só são recomendadas para quem perde muito sódio, potássio e magnésio. Caso contrário, o consumo pode sobrecarregar os rins", ressalva Regina.

HIDRATAR É PRECISO

A hidratação pode se dar, também, pela ingestão de alimentos. Alguns deles - como alface, tomate e melancia - têm em torno de 90% de água em sua composição (veja o quadro abaixo). "No verão, temos que dar preferência a alimentos leves, frios e nutritivos, como frutas, legumes e verduras, que não demandam muita energia para serem ingeridos", explica a endocrinologista Vânia Maria da Costa, acrescentando que carnes brancas, como as de peixe e frango, são sempre muito bem-vindas.

Ao contrário de dois pratos tipicamente brasileiros e altamente calóricos: o churrasco e a feijoada. "Na estação mais quente do ano, é preciso consumir menos sal e mais água", justifica.

Na estação mais quente do ano, é preciso consumir menos sal e mais água

Os refrigerantes também não são muito indicados. E por um motivo simples: "Além de não matarem a sede, ainda retêm líquidos", resume Regina Mestre. Para quem gosta de saborear uma cervejinha gelada, um aviso: bebidas alcoólicas não hidratam o organismo. Pior: têm efeito diurético. O indivíduo acaba eliminando mais líquido do que ingeriu. E o que dizer dos sucos? "O ideal é que a fruta seja consumida como alimento. Elas são indispensáveis no verão, porque nutrem, hidratam e desintoxicam o organismo. Para matar a sede, no entanto, a melhor opção é a água. Se beber suco de laranja, toda vez que sentir sede, vai engordar mais do que gostaria", previne a nutróloga.

Na hora de escolher as frutas, dê preferência para as de cor amarela, como o mamão. "Elas possuem uma enzima (papaína) que facilita o processo digestivo, e ainda têm betacaroteno, que protege a pele dos raios solares", afirma Regina.

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