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Edição 106 | EXPEDIENTE
Clínica Geral / Home

  Quanto menos, melhor
Conheça as novas drogas que podem ser tomadas com intervalos maiores e, assim, melhorar a vida do paciente

Por Ivonete Lucirio


FOTOS: SHUTTERSTOCK

Tudo tem seu Preço

É claro que o desenvolvimento dessas tecnologias não custa barato. E causa impacto no preço final dos medicamentos. Um tratamento com peginterferon, tomado apenas uma vez por semana, pode custar até dez vezes mais do que aquele feito com a droga convencional. Mas, às vezes, o preço compensa. Um exemplo é o novo medicamento usado para tratar a osteoporose, cujo princípio ativo é o ácido zoledrônico. A droga, desenvolvida pela Novartis, é injetável e pode ser ministrada apenas uma vez por ano – isso porque a molécula do remédio adere muito bem ao osso e fica meses grudada lá, liberando seu efeito. Segundo o fabricante, o preço, se dividido pelo número de dias do ano, é inferior ao do tratamento de uso diário.

Outra possibilidade – que implica em um grau de tecnologia inferior – também facilita a vida de quem tem de tomar muitos remédios. Trata-se de juntar duas ou mais drogas em um mesmo comprimido. Para as doenças cardiovasculares há associações bastante comuns como a de diuréticos com vasodilatadores. Principalmente em Cardiologia, há estudos sendo realizados para criar a polipílula, um medicamento que deverá conter várias classes de drogas em doses fixas e em um único comprimido (como ácido acetilsalícilico com hipertensivos e estatina). A principal crítica à polipílula é a de que, ao se criar um coquetel já pronto, ocorre uma perda em relação à individualização do tratamento.

FONTE: JANSSEN-CILAG FARMACÊUTICA, DO GRUPO JOHNSO

As coisas ficam mais simples quando existe um consenso médico, indicando as drogas e a dosagem para cada caso. É o que acontece com o coquetel para combater o HIV. O Ministério da Saúde planeja juntar várias drogas em uma só. O projeto está sendo elaborado pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz (RJ). Nesse caso, a dificuldade não é técnica, mas de conseguir a autorização dos laboratórios que ainda detêm a patente dos remédios. Os acordos estão próximos de serem finalizados, e então o coquetel seguirá o exemplo do que já é feito contra a tuberculose.

 

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