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Edição 106 | EXPEDIENTE |
A ciência já começa a usar dados do mapeamento genético humano para criar cardápios personalizados. Além de ajudar no emagrecimento, o recurso pode prevenir e tratar doenças identificadas nos genes de cada indivíduo Por Ivan Alves
QUEM JÁ ESTÁ ESTUDANDO O ASSUNTO Nos EUA, em alguns países da europa, na austrália e no Canadá, as pesquisas em nutrigenômica estão avançadas. nessas nações, alguns pacientes com predisposição genética já seguem dietas específicas para agirem sobre os genes que predispõem ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes do tipo 2 e alguns tipos de câncer. Em outubro de 2006, a food and drug administration (fda), nos eua, criou a uma divisão especial para as pesquisas na área. "Este evento representou um marco para a área de nutrigenômica, considerando que o governo norte-americano não somente reconhece a importância da personalização, mas, também, porque inclui esse tipo de nutrição como uma medicina. no Brasil, a comunidade científica ainda não recebe verbas suficientes para patrocinar as pesquisas necessáriots para o desenvolvimento desta ciência. assim, no país, os estudos que realmente tratam de nutrigenômica consistem de poucos e pequenos projetos, ainda sem resultados significativos", revela lucia Regina Ribeiro. O QUE A CIÊNCIA JÁ SABE Segundo uma pesquisa norte-americana, variações no gene APOA1 (apolipoproteína A1) afetam, de forma diferente, os níveis de colesterol bom (o HDL). "Até então, os cientistas acreditavam que toda pessoa que adotasse uma dieta rica em ácidos graxos poli-insaturados (ômega-3 e ômega-6), conseguiria aumentar as taxas do HDL e, consequentemente, afastar os riscos de doenças cardiovasculares. Agora, já se sabe que não é bem assim. Algumas mulheres com determinada variação nesse gene podem ter uma resposta oposta ao consumo dos nutrientes. E baixar os níveis do bom colesterol não faz bem à saúde", fala a cientista. Os pesquisadores também descobriram quais são os genes que predispõem o organismo a consumir mais calorias, quais são os que influenciam as preferências alimentares por cafeína e doces, por exemplo, e quais favorecem as infecções no tecido adiposo - uma das maiores causas da obesidade. "Assim que conhecermos todos os componentes alimentares que interagem com esses genes, teremos um caminho para controlar o apetite, a absorção de nutrientes, entre outros aspectos envolvidos na digestão", diz Daisy Maria Favero Salvadori, doutora em Genética pela Unesp. A Nutrição atual procura balancear os nutrientes nas dietas, respeitando, quando possível, as preferências e os hábitos alimentares de cada pessoa. "Com a Nutrigenômica, tudo isso muda, pois os profissionais terão que personalizar ao máximo a alimentação, como se estivessem montando um quebra-cabeça, com peças que se encaixam e outras para descartar", comenta a nutricionista Patricia Soares.
GENE: O QUE É ISSO? As diferentes combinações destas substâncias - que chegam a mais de 3 bilhões, em cada célula - determinam o código genético de cada ser vivo. O gene é uma unidade do DNA que contém informações para uma determinada característica hereditária. ele também instrui as células a fazer a síntese das proteínas. estas são as operárias do corpo, atuando na produção de tecidos, na digestão de alimentos e na defesa do organismo. PRÓXIMOS DO PRATO IDEAL? Já existem algumas empresas que oferecem, via internet, serviços de genômica preditiva, estabelecendo relações entre o padrão genético individual e o estilo de vida, incluindo a atividade física e a alimentação. "No entanto, considerando o estágio de desenvolvimento da área, e a necessidade do acúmulo de mais conhecimentos científicos, somos da opinião que a disponibilização de tais serviços é, ainda, prematura", fala Lucia. Uma série de programas colaborativos, focando a interação entre genes e nutrientes, foi iniciada, nos últimos três anos. Os pesquisadores em Nutrigenômica, seja individualmente, em grandes centros de pesquisa, ou em programas multi-institucionais, reconhecem a necessidade do desenvolvimento de novas práticas, fomentando colaborações internacionais e o uso comum de banco de dados. "Baseado na concretização destas expectativas, surge o conceito de 'nutrição inteligente', que promete revolucionar não só a Nutrição, mas todas as áreas ligadas às ciências da saúde. Hoje, a ciência praticamente duplica o conhecimento adquirido em um ano. Acredito que, em dez anos, a Nutrigenômica será uma realidade na vida das pessoas", conclui Daisy. PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2
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