A terceira onda da gripe suína Especialista em infectologia alerta para uma nova pandemia do vírus H1N1. E a história indica que os idosos serão os mais afetados em um novo ataque dos micro-organismos
por Ivan Alves
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Há pouco mais de um ano, o planeta estava em alerta. A preocupação com o risco de pandemia nos primeiros meses deu lugar ao alívio com a criação da vacina capaz de imunizar seres humanos contra o vírus H1N1, causador da gripe suína.
Entretanto, o risco de uma nova onda da doença existe. O alerta foi feito pelo virologista John Oxford, professor da faculdade Barts & The London School of Medicine and Dentistry de Londres, um dos principais pesquisadores no mundo do vírus influenza, em visita ao Conselho Global de Higiene, realizado no Brasil em junho. VivaSaúde conversou com o especialista. Confira a entrevista.
O H1N1 está controlado?
As pandemias de 1918, de 1957 e de 1968 surgiram em diversas etapas. Esses surtos nos mostram que o problema piorou conforme as ondas se sucediam. Então, se estamos interessados em preveni-las, ainda é preciso tomar muito cuidado. Muitas pessoas acreditam que tudo está controlado. Mas no ano que vem haverá uma mudança. É quando deveremos redobrar a atenção, pois o único grupo que não foi atacado até agora é o das pessoas com idade superior a 65 anos. E são essas as pessoas mais vulneráveis ao vírus influenza e, em geral, aquelas que morrem em decorrência de complicações da gripe. Os idosos, na história das pandemias do século passado, foram os que tiveram a maior taxa de mortalidade no terceiro ano de surto, em comparação ao primeiro ano.
O influenza é um organismo que se adapta. O vírus mais perfeito é aquele que se encaixa em todos os grupos e faixas etárias. Neste momento, o H1N1 ainda não atinge todas as classes. Atualmente, o agente ataca jovens, obesos e mulheres grávidas. Portanto, o grupo de idosos com mais de 65 anos, que corresponde a 20% da população, no momento está seguro. Infelizmente, eu não acho que essa situação continuará dessa forma. E esse micro-organismo vai criar mutantes, variantes genéticos, e no final um deles conseguirá atacar os idosos. Depois, ele se tornará o tipo dominante, capaz de atingir todo tipo de indivíduos.
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Esta pandemia é tão perigosa quanto às do século passado?
Eu acho que esse surto está sendo subestimado. Ao analisar o número de mortes causadas pela nova gripe, à primeira vista, o problema parece menos grave. O total de óbitos é bastante inferior às vítimas das outras três pandemias. De fato, é exatamente isso o que mostram os dados.
Mas devemos considerar que haveria mais mortos se não tivéssemos interferido. Pela primeira vez aconteceu uma mobilização global. Nos EUA houve um grande impacto nos indivíduos jovens e entre as mulheres grávidas, atingindo a comunidade de um jeito inesperado. No ano que vem, esse vírus vai atingir o grupo de pessoas com mais idade. Será quando o número de óbitos crescerá. É por esse motivo que eu acredito que precisamos nos atentar a essa questão agora, provavelmente com mais seriedade do que levamos na primeira onda.
Será necessária uma nova vacina?
Este ano a vacina ainda vai ser tão boa quanto no ano passado. Neste momento não há nenhuma evidência de que o vírus está mudando suas características biológicas. Ele não precisa mudar agora, ainda existem muitas pessoas suscetíveis aos seus ataques. Mas a partir do ano que vem, e especialmente em junho de 2012, provavelmente ele irá mudar. Cientistas do mundo todo estão atentos às mutações. No final desse inverno vamos procurar saber se já existem os primeiros vírus mutantes.
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