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Edição 106 | EXPEDIENTE
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  Meu pequeno campeão
A atividade física é fundamental para o desenvolvimento de uma criança. Além dos benefícios para o corpo, a prática colabora para sua formação intelectual e social, mas é preciso que seja prazerosa

por Ivan Alves

Todo pai vislumbra uma vida repleta de sucesso aos filhos. E uma importante parcela desses sonhos está voltada para uma carreira esportiva. Mais do que um devaneio paternalista, há aqueles que, de fato, planejam a trajetória dos herdeiros ao topo do pódio. Seja qual for o objetivo, a prática de exercícios é um recurso multibenéfico à saúde da criança. Ela é importante para aquisição de habilidades psicomotoras, para o desenvolvimento intelectual, melhora o desempenho escolar e também o convívio social. Além disso, aliada a uma dieta balanceada, minimiza o risco da obesidade.

Esporte recreativo

Em primeiro lugar: o esporte deve ser uma atividade que agrade à criança. De acordo com Moisés Cohen, professor do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um importante recurso para estimular uma vida esportiva nos filhos é o exemplo: "se os pais forem fisicamente ativos, há seis vezes mais chances da criança também praticar esportes".
Um erro comum cometido pelos pais é estimular os filhos a participar de eventos competitivos precocemente. "Uma criança submetida a essas condições provavelmente chegará à adolescência cansada pela pressão por resultados", destaca Ana Célia Osso da Costa, educadora física e coordenadora do Centro de Aprendizagem Desportivo (CAD) do Esporte Clube Pinheiros, de SP.
Segundo a especialista, muitos pais escolhem um tipo de esporte e querem que o filho se torne um atleta profissional. Nada errado até aí, mas é preciso respeitar a sua condição intelectual e física. "Se um pai quer que o filho seja um atleta, leve-o ao parque para que ele faça os movimentos motores básicos como correr e pular. Depois mostre diferentes modalidades para que ele escolha a que mais lhe agradar", afirma Ana Célia.

Debute esportivo

E qual é a melhor idade para iniciar os primeiros lances? "Pode começar até mesmo com seis meses de vida se consideramos a natação para bebês. O importante é respeitar a carga adequada para cada faixa etária e a modalidade escolhida pela criança", indica Flávia Piazzon, pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Não há um tipo de esporte para cada idade. O que precisamos é adaptar a atividade à idade dos atletas. Uma criança de 5 anos pode praticar vôlei, mas com uma bola diferente da usada por adultos", explica Paulo Sérgio Martino Zogaib, médico especialista em medicina esportiva e em fisiologia do esporte e coordenador de Medicina do Esporte Clube Pinheiros.

Foto: Shutterstock

Meu filho vai ser atleta profissional

Planejar um atleta de alto rendimento e de carreira profissional é improvável. "Qualquer pessoa consegue correr uma maratona, mas pouquíssimas conseguem completar uma prova desse calibre em duas horas. Alguns indivíduos são favorecidos geneticamente. Não dá para achar que o seu filho vai ser um atleta excepcional porque treina desde pequeno. Pode ser que dê certo, mas não é o normal", pondera Paulo Sérgio Martino Zogaib. O especialista reforça que a carreira profissional será uma consequência natural de uma boa formação atlética, iniciada na infância.
O momento para focar em uma modalidade é quando a criança chega à adolescência, após os 12 anos. É quando os treinos ficam mais elaborados e há a repetição de movimentos, em busca do aperfeiçoamento técnico.
Nos primeiros seis anos de vida, o corpo ainda não possui maturação tecidual para absorver uma alta carga. "Para esse grupo o lúdico é mais importante. Por meio da brincadeira a criança é inserida no esporte. São usados objetos que a atraem, como bolas e arcos. Com o passar do tempo, a criança percebe que está melhorando seus movimentos e procura se aperfeiçoar. Se ontem ela faz um ponto, amanhã vai querer marcar dois. As amizades também estimulam a adesão e a continuidade", diz Ana Célia.

Além do caráter recreativo e de envolvimento social, indivíduos que tiveram o aprendizado motor geral (brincando variadas modalidades) terão um desenvolvimento mais apurado do que aqueles engajados em um esporte específico desde pequeno.
Por volta dos 6 ou 7 anos, o sistema neuropsicomotor está mais desenvolvido, fator que possibilita o aprendizado de movimentos mais elaborados. É quando os músculos começam a responder aos estímulos. É só nessa fase que a criança deve escolher uma modalidade para se aperfeiçoar.
A terceira fase se inicia aos 12 anos, no início da puberdade, quando as secreções hormonais são cada vez maiores. "Estruturas como coração e pulmão têm capacidade de resposta muito maior do que antes. Agora se pode pensar em sobrecarga física, aumentar o tempo de atividade e intensidade dos treinos", revela Zogaib. O auge da maturação de um indivíduo ocorre por volta dos 18 anos, quando a capacidade de adaptação aos exercícios é máxima.

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