DPOC: como combater a doença que é a 5a causa de morte no mundo! Tosse, falta de ar, cansaço, catarro e dor no peito são os sinais desta doença progressiva e irreversível, muito comum entre os fumantes
Cristina Almeida
Com a chegada do mês de dezembro, muitas pessoas já começam a pensar sobre as decisões para o ano novo. Do ponto de vista dos pneumologistas, esta é uma ótima oportunidade para colocar em prática uma atitude preventiva da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): parar de fumar. Em 90% dos casos, o tabagismo é a principal causa desse mal que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020, subirá dois degraus no ranking das doenças mais fatais, chegando ao terceiro lugar.
A DPOC é caracterizada pela dificuldade da passagem de ar pelos brônquios. Tratase de um mal progressivo, associado à resposta inflamatória anormal dos pulmões e à inalação de partículas e gases tóxicos. Esse processo provoca a alteração dos brônquios, dos bronquíolos, bem como dos alvéolos. "O que acontece na DPOC é que as vias que carregam oxigênio para os pulmões ficam mais estreitas, causando dificuldade para respirar,", explica José Roberto Jardim, coordenador do Centro de Reabilitação Pulmonar da Universidade Federal de São Paulo.
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De olho nos sintomas
Manoel de Souza Machado Júnior, presidente da Associação Brasileira de Portadores de DPOC, 79 anos, conta que foi fumante durante 35 anos. Há 20 anos parou de fumar. Quando sintomas como tosse, catarro, dificuldade para respirar (dispneia), dor no peito e cansaço exagerado apareceram, ele pensou que fossem sinais próprios do envelhecimento. "Depois desses sinais, veio a forte crise respiratória. No prontosocorro, fui removido para a UTI. Passado o susto, soube da existência da doença, e com ela convivo nos últimos dez anos".
A tendência dos pacientes é agir como Manoel. "Eles não só ignoram os sintomas, como não procuram um médico para uma avaliação", afirma José Alberto Neder, professor titular e chefe da disciplina de Pneumologia da Unifesp. Segundo o especialista, esse comportamento agrava o quadro de uma doença que nunca é totalmente reversível. "E nos consultórios médicos, a situação nem sempre é animadora", acrescenta Neder. "Muitas vezes a doença é subdiagnosticada, pois a DPOC é um mal formado por várias doenças, cujas manifestações podem ser confundidas com asma", completa.
Para fazer um diagnóstico preciso, além de uma radiografia do tórax, são necessários exames específicos para testar as funções pulmonares (espirometria) e a quantidade de oxigênio no sangue (gasometria), nos casos mais graves.
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